terça-feira, 20 de março de 2012

Crítica: L'argent de Robert Bresson (França, 1983)

Como tinha prometido, deixo-vos uma crítica que encontrei e achei muito interessante relativamente, não só ao filme, mas também aos simbolismos utilizados por Robert Bresson nas artes cinematográficas. Aconselho a quem estiver interessado a dar uma vista de olhos. Sugiro que vejam primeiro o filme e tirem as vossas próprias conclusões e só depois leiam a crítica que aqui vos disponibilizo. O filme ganha toda uma nova dimensão e pequenas analogias que vamos nos apercebendo e compreendendo. Mesmo que vos obrigue a rever o filme é um excelente exercício de reflexão e enrequecimento pessoal.

Crítica por Fábio Andrade

terça-feira, 13 de março de 2012

CineClub: L'argent

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto está a organizar este semestre um ciclo de cinema, CineCafé 2012, para os amantes de cinema e para aqueles que estiverem interessados aconselho a experimentarem pelo menos uma das sessões. O ambiente é descontraído e não existe aquele ruído de fundo tão irritante como nas salas mais comerciais. As pipocas e pessoas a conversar como se estivessem numa mesa de café deveriam ser banidas das salas de cinema. É difícil desfrutar e reflectir sobre um filme com tanta interferência por todos os lados. Mas adiante, amanhã será a 2ª sessão deste ciclo, que se repete quinzenalmente. O filme é L'argent (1983) por Robert Bresson e parcialmente inspirado na primeira parte de uma short-story do Tolstoy, Faux Billet. Foi o último filme de Bresson que lhe valeu o Director's Prize no Cannes Film Festival no ano de 1993. Deixo-vos com uma pequena sinopse retirada do IMDB e com o restante programa e informações adicionais. Deixar-vos-ei mais tarde uma crítica que encontrei e que penso que se encontra muito bem conseguida e explica não só filme, como explora o cinema de Bresson.


Uma nota de 500 francos falsificada é cinicamente transmitida de pessoa para pessoa, de loja para loja, até que eventualmente cai nas mãos de um jovem rapaz genuinamente inocente que não repara que não é uma nota genuína. Isto trá-lo-á consequências devastadoras na sua vida, levando-o a entrar numa vida de crima e assassínio.
  



CINECAFÉ 2012

Organização
DEPARTAMENTO CULTURAL AEFLUP


QUARTAS-FEIRAS | 21H30 | ANFITEATRO NOBRE
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Programa provisório (sujeito a modificações)

– 29 FEV: Luis Buñuel - El ángel exterminador;
– 14 MAR: Robert Bresson - L'argent;
– 28 MAR: Francis Ford Coppola - Apocalypse Now;
– 18 ABRIL: Andrei Tarkovsky – Stalker;
– 9 MAI: João César Monteiro - As Bodas de Deus;
– 23 MAI: Julio Bressane - Filme de Amor.

Página do Departamento Cultural

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

1º Retrato

A primeira publicação deste blogue é um excerto do poema The Garden of Proserpine de Swinburne que é citado no livro Martin Eden por Jack London que li durante o Verão. Esta citação surgiu-me há uns dias atrás quando estive a discutir com uns colegas se, eventualmente fosse possível, embarcaria na ideia de viver eternamente. Posso confessar-vos que a ideia aterroriza-me, saber que a idade da Terra ou mesmo do próprio Universo, neste momento, é insignificante quando comparado aos anos que ainda haviam de vir, se de anos poderíamos falar para uma escala tão imensa que nem conseguimos conceber por muito que a formalizemos. Como podemos falar de tempo, quando a eternidade rouba qualquer sentido à passagem do mesmo? Um dos meus colegas é simpatizante com essa noção e de boa vontade embarcaria nessa viagem. Para ele a vida não faz sentido, se eventualmente vamos ser devolvidos à terra e deixarmos de existir. Eu acredito que é este ciclo que concede importância e valor a tudo o que aqui atingimos e experimentamos, que nos impede de cair na letargia e que devemos agradecer por cada novo dia que nos permite apreciar o que nos rodeia. Amar o mundo e aprender com tudo aquilo que nos oferece. Para quando o véu negro repousar sobre o nosso corpo, deixarmos-nos abraçar sem medo.



"(...) Morte é o fim da vida, e toda a gente teme isso, só a Morte é temida pela Vida, e as duas reflectem-se em cada uma (...)"

Oscar Wilde


The Garden of Proserpine

(...)
From too much love of living,
From hope and fear set free,
We thank with brief thanksgiving
Whatever gods may be That no life lives for ever;

That dead men rise up never;
That even the weariest river
Winds somewhere safe to sea.
(...)

Fonte